A história do rádio no Brasil: das ondas curtas à internet
Por Redação da RDW · 5 de novembro de 2026
Pouca coisa acompanhou tanto a vida dos brasileiros quanto o rádio. Ele deu notícia de guerra, lançou cantores, parou o país com novelas e narrações de futebol e, hoje, cabe no celular. Conheça os principais momentos dessa história.
A primeira transmissão, em 1922
O marco oficial do rádio no Brasil é 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do centenário da Independência, no Rio de Janeiro. Naquele dia, o discurso do presidente Epitácio Pessoa foi transmitido e ouvido por quem estava perto dos poucos aparelhos instalados para a ocasião. Era uma novidade tecnológica, e quase ninguém tinha um receptor em casa.
Roquette-Pinto e o rádio para educar
Em 1923, o médico e antropólogo Edgard Roquette-Pinto ajudou a fundar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A ideia dele era usar o rádio para levar educação e cultura a todo o país, com palestras, aulas e música. Por isso, Roquette-Pinto é lembrado como um dos pais do rádio brasileiro. Nos primeiros anos, as emissoras funcionavam como clubes, mantidas pelas contribuições dos próprios ouvintes.
A era de ouro
Com a liberação da publicidade, nos anos 1930, o rádio virou um grande negócio e um fenômeno popular. A Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, fundada em 1936, se tornou a emissora mais famosa do país. Programas de auditório lotavam os estúdios, e cantores e cantoras disputavam o título de rainha e rei do rádio.
Foi a época das radionovelas, que reuniam a família em volta do aparelho, e do jornalismo radiofônico. O "Repórter Esso", que estreou em 1941, ficou marcado como uma das maiores referências de notícia no rádio, com o bordão de ser "testemunha ocular da história".
A chegada da televisão
Nos anos 1950, a televisão começou a ganhar espaço e levou para a tela muitos dos artistas e formatos que tinham nascido no rádio. Muita gente achou que o rádio ia acabar, mas ele se reinventou. Ficou mais ágil, mais próximo do ouvinte e mais ligado à música, à prestação de serviço e ao esporte. A narração de futebol pelo rádio, por exemplo, continua sendo uma paixão nacional.
O FM e o rádio de todo dia
A partir dos anos 1970, as rádios FM se espalharam pelo país. Com som de melhor qualidade, elas se tornaram a casa da música, enquanto o AM ficou muito associado à notícia, ao esporte e aos programas populares. O rádio passou a ser companhia no carro, no trabalho, na cozinha e no ponto de ônibus.
O rádio na internet
Com a internet, o rádio deixou de depender da antena. Hoje, uma rádio pode ser ouvida de qualquer lugar do Brasil e do mundo, pelo celular, pelo computador, pela TV ou pelo carro. Surgiram as web rádios, que nascem direto na internet, e muitas emissoras tradicionais passaram a transmitir também online.
Essa mudança abriu espaço para rádios menores e independentes, que falam com públicos específicos ou tocam estilos que nem sempre aparecem nas grandes emissoras. Também aproximou o ouvinte: pedir uma música, mandar um recado ou comentar a programação ficou a um toque de distância.
Por que o rádio continua vivo
- Companhia: o rádio fala com a gente enquanto fazemos outras coisas.
- Agilidade: é rápido para dar notícia e prestar serviço.
- Proximidade: o locutor parece um conhecido, e o ouvinte participa.
- Acesso fácil: funciona em quase qualquer aparelho, e de graça.
Mais de cem anos depois da primeira transmissão, o rádio mudou de forma várias vezes, mas manteve o que tem de mais forte: a voz e a música chegando até quem está ouvindo. Aqui na RDW, é isso que a gente faz todo dia.